Os sentidos das experiências escolares nas trajetórias de vida de mulheres em privação de liberdade

Autor: Pollyana dos Santos

Resumo: Este trabalho tem o objetivo de analisar quais são os sentidos das experiências escolares vividas por mulheres em privação de liberdade em suas trajetórias de vida. Para tal, buscam-se compreender como se inserem as práticas educativas em espaços prisionais, como se desenvolvem as trajetórias de vida dos sujeitos desta pesquisa e, de que forma se inserem as experiências escolares nesses trajetos. Esta pesquisa tenta responder ao seguinte problema: quais os sentidos das experiências escolares vividas por mulheres em privação de liberdade nos diferentes momentos de suas trajetórias de vidas? O lócus de investigação foi o Presídio Feminino de Florianópolis e os sujeitos desta pesquisa foram mulheres, em diferentes faixas etárias, estudantes das turmas do Centro de Educação de Jovens e Adultos do Complexo Penitenciário de Florianópolis. A pesquisa empírica foi realizada entre os meses de fevereiro a novembro de 2012. Este estudo se orientou a um trabalho quanti-qualitativo e teve como instrumentos de coleta de dados: análises documentais, observações participantes, aplicação de questionários e entrevistas com professores e estudantes. Como principais referenciais teóricos tem-se: Julião (2007/2009); Onofre(2007) e Ireland (2010/2011), para o debate sobre a educação em espaços prisionais; Charlot (2000), para compreensão da categoria “sentido”; Bourdieu (1998), Dubet e Martuccelli (1997) para aprofundamento nos processos de socialização e experiências escolares; Margulis (1996); Sposito (2005), Durand (2001) Pais (1993), para o entendimento das condições juvenis. A análise dos dados coletados permitiu perceber a juventude como um momento da trajetória de vida em que houve um distanciamento da escola, uma tentativa de inserção no mercado de trabalho, o envolvimento em atividades ilícitas e a tentativa frustrada de retorno à escolarização. Destacando-se como fase importante, nota-se também, que as situações de gênero, de classe social, de origem urbana ou do campo que atravessaram as condições de juventude dos sujeitos da pesquisa apontaram para diferentes maneiras de experimentar esse momento da vida: uma juventude usurpada; uma juventude vivida e uma juventude tardia. A pesquisa aponta para alguns sentidos das experiências escolares nos diferentes momentos das trajetórias de vida: 1) para as mulheres adultas, que tiveram suas trajetórias escolares interrompidas durante a infância, as experiências escolares ganhavam o sentido de assegurarem um “estatuto de criança”, negado pelas condições de existência; 2) para as estudantes jovens, que apresentaram uma trajetória escolar mais longa, as experiências escolares anteriores à prisão ocupavam um lugar secundário diante das demais experiências vividas relacionadas ao exercício da condição de juventude; 3) as experiências escolares tecidas no espaço prisional recebiam novos sentidos e, talvez, isso se vincule à dinâmica de aula e de relações tecidas entre professores e estudantes na escola do presídio. Sendo assim, parecia ser naquele espaço que uma prática educativa que problematizasse as condições de existência possibilitava constituir aprendizagens significativas que oportunizassem elaboração de projetos de vida.

Orientador: Olga Celestina da Silva Durand

Área de concentração: Educação 

Instituição:  Universidade Federal de Santa Catarina / Ano: 2014

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Sobre Cristina de Carvalho

Arquivista na NTX It Solutions, pós-graduanda em Gestão Eletrônica de Documentos pela USCS. Foi Bibliotecária na Faculdade de Ciências e Saúde de São Paulo e Auxiliar de Biblioteca na UNISA. Bibliotecária formada pelo UNIFAI.

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