O trabalhar docente com adolescentes em conflito com a lei: um olhar a partir da psicodinâmica do trabalho

Autor: Christina Pereira da Silva

Resumo: O desafio para a sociedade contemporânea consiste em empreender ações para a materialidade da proposta socioeducativa, frente ao objetivo de realizar a mediação dos adolescentes e jovens em cumprimento de medida socioeducativa, uma vez que esta política tem por objetivo educá-los para a vida em liberdade. Esse contexto evidencia a importância do papel que deve ser atribuído à socioeducação e, principalmente, ao professor que atua nesta modalidade de educação. Levando-se em consideração a atuação docente em instituições socioeducativas, esta pesquisa tem como objetivo geral investigar o trabalhar de professores que atuam com adolescentes em conflito com a lei, em uma escola inserida dentro de uma unidade de internação no Distrito Federal, a partir da psicodinâmica do trabalho. Especificamente, buscou-se analisar a organização do trabalho docente a partir das divergências entre o trabalho prescrito e o real, investigar as vivências de sofrimento existentes no trabalho docente e as estratégias defensivas individuais e coletivas decorrentes dessas e descrever a mobilização subjetiva quanto às relações de cooperação, reconhecimento e inteligência prática. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa que utilizou como procedimento a clínica do trabalho, desde a pré-pesquisa até a devolutiva. À luz da teoria de Dejours, esse método de ação e intervenção promoveu espaços de troca entre participantes e pesquisadora e momentos de escuta coletiva, possibilitando entender processos subjetivos individuais e estratégias coletivas mobilizadoras no tocante ao trabalho. Os resultados alcançados, ao longo de seis sessões, indicaram que o trabalhar docente, na unidade de internação pesquisada, é permeado de imprevistos e incidentes, sendo marcado, muitas vezes, pela resistência do real. Tais circunstâncias tendem a gerar surpresa, nervosismo, irritação, e sentimento de impotência que levam professores ao sofrimento. Por sua vez, esses docentes desenvolvem estratégias defensivas, quando operam na negação ou camuflagem desses processos promotores de sofrimento. Constatou-se ainda que o espaço privilegiado de discussão, promovido pela clínica do trabalho, favoreceu a quebra do silêncio e a redução do individualismo, mas não o suficiente para mobilizar o coletivo para implementar mudanças significativas no trabalhar. Portanto, a tese de que a mobilização subjetiva de professores quanto às relações de cooperação, reconhecimento e inteligência prática é essencial para enfrentar as dificuldades do contexto da socioeducação foi confirmada. Por fim, espera-se contribuir para que se conheça detalhadamente o modo de trabalho docente e despertar a atenção do meio acadêmico, político e social para o trabalho docente desenvolvido em unidades de internação, condições de trabalho e consequências para o bem-estar emocional e profissional desses docentes, e, numa perspectiva mais ampla, almeja-se ainda a melhoria do trabalho docente na socioeducação.

Orientador: Geraldo Caliman

Área de concentração: Educação

Instituição:   Universidade Católica de Brasília Ano: 2019

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Sobre Cristina de Carvalho

Arquivista na NTX It Solutions, especialização em Gestão Eletrônica de Documentos pela USCS e MBA em Gestão da Informação em Saúde pela UNISA. Foi Bibliotecária na Faculdade de Ciências e Saúde de São Paulo (FACIS) e Auxiliar de Biblioteca na UNISA. Bibliotecária formada pelo UNIFAI.

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