Cartas marcadas: análise de preconceito (s) em cartas de alunos de uma escola do sistema prisional do estado de São Paulo

Autor: Denys Munhoz Marsiglia

Resumo: O sistema presidiário no Brasil enfrenta uma grave crise, traduzindo-se em um ambiente degradante, estruturas que teimam em confinar indivíduos a luz de sua própria barbárie, pouca condição de trabalho com baixa capacidade técnica e moral. Neste cenário, instala-se uma unidade escolar. Pensar no cárcere é repensar o corpo de muitos sujeitos em condições aviltantes de sobrevivência. A história retratou a prisão utilizada como local de punição, tortura e morte de qualquer indivíduo que se desviasse dos padrões construídos socialmente em diferentes momentos históricos. Hoje, a realidade retratada é a de dominação de criminosos em estruturas fechadas, mesmo que sobre os olhos de agentes penitenciários e da sociedade e sem nenhum objetivo de regeneração, pois suas práticas além de aprisionarem o corpo, danificam a alma pelas condições mínimas de sobrevivência. Mas, a prisão não estabelece um total desvinculo social, pois em seus prédios circulam familiares, agentes, advogados e todos os envolvidos nesse complexo sistema. Esta convivência é difícil por estar permeada de diversas problemáticas que refletem a vida neste locus social. Neste sentido, a escola surge neste espaço como alternativa no processo de (re)ssocialização destes detentos. Mesmo oferecendo remissão da pena, são muito baixas as adesões ao estudo da população carcerária se comparada ao trabalho que, além da remissão, também oferecesse alguma remuneração. Os indivíduos que ali se encontram, quase em sua totalidade são negros, de camadas mais empobrecidas da sociedade, com algum tipo de vício e desestruturação familiar. Com base nesses contextos, busca-se nesta pesquisa estudar as marcas e retratos sociais destes indivíduos discriminados e marginalizados socialmente. As prisões não exercem seu papel de regenerador social e estes entraves geram a necessidade de estudarmos os motivos que alicerçam a busca de padrões desviantes e agressivos na sociedade. O objeto de estudo são as cartas de alunos de uma escola do sistema prisional de São Paulo. A hipótese apontada é a de que o estigma do preconceito estará presente na trajetória de vida de alunos detentos de um presídio do estado de São Paulo. Nosso objetivo é em identificar os processos de subjetivação sulcados e cruzados pela discriminação e pelo preconceito na trajetória de vida destes sujeitos. O método utilizado neste estudo é o qualitativo, por meio de pesquisa de campo em cartas. Foram recolhidas 20 cartas no ano de 2015 de alunos detentos de uma penitenciária de Franco da Rocha nas aulas de ciências de uma escola vinculada e inserida no Programa Educação nas Prisões do Governo do Estado de São Paulo. Dentre elas, escolhemos 9 cartas para as análises. Todas elas demonstram que estes sujeitos são/foram vítimas de ações discriminatórias tanto nas relações sociais, como nas relações frágeis e desestruturadas familiares e seguem sulcados com a marca do preconceito em suas trajetórias de vida. A escola, neste contexto, parece exercer um poder de libertação pela prática educacional e conquista da cidadania e a remissão de suas penas no cárcere.

Orientador: Elaine Teresinha Dal Mas Dias

Área de concentração: Educação

Instituição:  Universidade Nove de Julho / Ano: 2017

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Sobre Cristina de Carvalho

Arquivista na NTX It Solutions, pós-graduanda em Gestão Eletrônica de Documentos pela USCS. Foi Bibliotecária na Faculdade de Ciências e Saúde de São Paulo e Auxiliar de Biblioteca na UNISA. Bibliotecária formada pelo UNIFAI.

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