A escola e as mulheres em privação de liberdade: o cotidiano de uma turma de alfabetização entre a cela e a sala de aula

Autor: Maria Cristina da Silva

Resumo: Esta tese tem por objetivo apresentar processos de aquisição da leitura e da escrita de mulheres em privação de liberdade de uma escola em uma unidade prisional no estado de Minas Gerais. O estudo que tomou como princípio metodológico a pesquisa de cunho etnográfico, registrou em caderno de campo as observações sobre as alunas de uma turma de alfabetização e as várias atividades desenvolvidas pela professora, bem como atividades coletivas proporcionadas por todos os profissionais da escola, por um período de oito meses. Buscou-se nesses registros de campo captar o papel da leitura e da escrita naquele contexto escolar, como se desenvolvem a leitura e a escrita nele, os significados que a escola e as atividades escolares têm para os sujeitos pesquisados. A pesquisa aponta para a presença de diversos gêneros textuais e vários portadores de textos no mundo prisional em que as restrições não se aplicam aos textos, mas a convenções e regras de disciplinamento e controle: Controle sobre as mulheres encarceradas e aos profissionais que atuam na escola. O cerceamento é mais evidente na imposição de regras estabelecidas pelo presídio sobre o cotidiano escolar produzindo tensões e disputas. A escola aparece como necessária mediante o cumprimento da lei e é reafirmada pelo presídio como importante para remição de pena e ressocialização das detentas. Para elas, a sala de aula vai além de aprender ler e escrever, é um espaço fora da cela, de convívio com outros que não estão no cárcere, de escuta para as questões pessoais, de aconselhamento. A busca por diminuir o tempo de permanência no cárcere, de trocar informações. De conversas mais livres, de rir, chorar, brincar. A escola tem o propósito de proporcionar a educação tomando-a como um direito humano. As condições de trabalho são precárias e o vínculo trabalhista provisório. Os professores não possuem qualificação para atuarem na EJA nas prisões, tampouco recebem apoio da Secretaria de Estado de Educação para tanto.

Orientador: Carmem Lucia Eiterer

Área de concentração: Educação

Instituição:  Universidade Federal de Minas Gerais Ano: 2016

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Sobre Cristina de Carvalho

Arquivista na NTX It Solutions, pós-graduanda em Gestão Eletrônica de Documentos pela USCS. Foi Bibliotecária na Faculdade de Ciências e Saúde de São Paulo e Auxiliar de Biblioteca na UNISA. Bibliotecária formada pelo UNIFAI.

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