Representações discursivas de professores de línguas sobre o ensino-aprendizagem em contexto de educação prisional

Autor: Walkiria Felix Dias

Resumo: O trabalho em questão apresenta e discute a educação prisional (EP) e alguns de seus atravessamentos, partindo do pressuposto de que os professores do contexto estão em constante tensão devido a uma memória de deslegitimação social do fazer docente e um desconhecimento do que seja ensinar-aprender na EP. Sendo assim, nosso objetivo foi analisar, por meio da proposta Análise de Ressonâncias Discursivas em Depoimentos Abertos (AREDA), a discursividade de professores que atuam ou já atuaram nessa modalidade de ensino, identificando, em depoimentos de três desses profissionais, algumas representações discursivas sobre a EP, sobre si mesmos enquanto docentes, sobre a sala/cela de aula, sobre seus alunos e sobre o ensino-aprendizagem de línguas nesse ambiente. Para sustentar nossas posições e embasar teoricamente nossas discussões, nós optamos por uma interface entre a Linguística Aplicada (LA) pós-ocidentalista, transgressiva e indisciplinar, conforme proposto por Penycook (2003) e Moita Lopes (2006), com a Análise Dialógica do Discurso (ADD), baseada no Círculo de Bakhtin e com a Análise do Discurso de Linha Francesa (ADF), com base em Michel Pêcheux. Após a coleta e transcrição dos depoimentos eles foram analisados de forma que as regularidades enunciativas entre os dizeres dos professores, por nós identificadas, nos levaram à compreensão de algumas representações em funcionamento. São elas: A EP é uma instancia libertadora; O professor de línguas na EP precisa resistir e enfrentar; O aluno da EP é um sujeito privado de humanidade; A sala/cela de aula é um espaço em que professores e alunos estão sob vigilância; Por fim, o ensino-aprendizagem de línguas na EP é representado entre o questionamento de sua utilidade e a busca pela cidadania. Tentar compreender as representações discursivas acerca da EP é uma forma de posicionarmo-nos a favor dos Direitos Humanos, da dignidade e do bem-estar social e esse é um posicionamento político que cabe também aos Linguistas Aplicados.

Orientador: Cristiane Carvalho de Paula Brito

Área de concentração: Estudos Linguísticos

Instituição:  Universidade Federal de Uberlândia Ano: 2020

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Sobre Cristina de Carvalho

Arquivista na NTX It Solutions, pós-graduanda em Gestão Eletrônica de Documentos pela USCS. Foi Bibliotecária na Faculdade de Ciências e Saúde de São Paulo e Auxiliar de Biblioteca na UNISA. Bibliotecária formada pelo UNIFAI.

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