Memórias e construções subjetivas nos espaços escolares prisionais do Estado do Rio de Janeiro: apropriação e transformação docente

Autor: José Mauro de Oliveira Braz

Resumo: A presente investigação tem como objetivo, perscrutar quais são as motivações de docentes que trabalham em escolas localizadas em prisões, no sentido de suplantar as dificuldades disseminadas socialmente acerca de espaços prisionais e constatem que a instituição escolar na prisão é um bom local para se trabalhar. A esse respeito, investigou-se o processo de construção da memória do ofício dos professores que atuam em escolas situadas em espaços prisionais com foco nos seus relatos, seja direcionado à satisfação referente ao exercício docente, seja no tocante à relação professor/aluno. Parte-se do princípio que a escola localizada em uma unidade prisional é um espaço diferenciado. Primeiro, por estar localizado no interior (ou em anexo) de uma unidade prisional, o que faz com que suas dinâmicas sejam afetadas diretamente pelo cotidiano relativo às dinâmicas da instituição prisional. Segundo, em função do público alvo desta escola, por tratar-se de um aluno que cometeu um crime e se encontra em regime de privação de liberdade. Por intermédio da análise de conteúdo de entrevistas realizadas com professores que atuam nestes espaços escolares, depreendeu-se que estes profissionais apresentam diversas motivações para atuar nesses espaços escolares. Essas motivações auxiliam no processo de construção subjetiva que colabora para romper com o discurso social, que afirma que a prisão é o local onde os criminosos devem sofrer, que ali só se encontram pessoas irrecuperáveis, e, que melhor seriam se estivessem mortos. É muito frequente, nos relatos dos professores, a sinalização de que os alunos das escolas em prisões são obedientes e valorizam o trabalho do professor. Ainda, os professores acreditam que podem contribuir, significativamente, para os presos construírem outros projetos de vida e fazerem outras opções além do crime. Todavia, vale ressaltar que, dificilmente, um preso que assimilou a cultura prisional seria desobediente, mesmo porque está sujeito às regras disciplinares da instituição prisional. Registra-se também que, a certeza de que o aluno será dócil e cumprirá todas as tarefas pode se constituir num verdadeiro engodo que encobre a satisfação do docente ante a sua impotência e desvalorização com relação às escolas situadas extramuros prisionais. Como resultado principal da investigação, conclui-se que a motivação para a continuidade das atividades profissionais nos espaços escolares prisionais advém do tripé liberdade-saber-poder, no qual cada profissional se sustenta sob uma ou mais destas vertentes para, de certa forma, justificar sua atuação nestes espaços.

Orientador: Francisco Ramos de Farias

Área de Concentração: Memória Social

Instituição:  Universidade do Estado do Rio de Janeiro / Ano: 2016

Download: PDF

Tags , , , , .Adicionar aos favoritos o Link permanente.

Sobre Cristina de Carvalho

Arquivista na NTX It Solutions, pós-graduanda em Gestão Eletrônica de Documentos pela USCS. Foi Bibliotecária na Faculdade de Ciências e Saúde de São Paulo e Auxiliar de Biblioteca na UNISA. Bibliotecária formada pelo UNIFAI.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.