‘Expetativas (in)cumpridas’: a vivência da reclusão feminina e a educação – formação de adultos nas prisões

Autor: Ana da Conceição Fontes Ferreira Monteiro

Resumo: Neste estudo tenta compreender-se o modo como mulheres ex-reclusas dão significado à vivência da reclusão nos seus percursos de vida e qual a importância que estas mulheres atribuem à educação/formação que recebem dentro do estabelecimento prisional, tendo em vista a sua (re) inserção social e profissional. A formação profissional, o ensino e a ocupação laboral, são considerados instrumentos fundamentais no plano de reinserção da pessoa em situação de reclusão, no sentido de desenvolverem competências sociais e profissionais e como forma de terapia ocupacional. A formação profissional que se desenvolve nos Estabelecimentos Prisionais é coordenada pela Direção Geral dos Serviços Prisionais, em colaboração com várias entidades públicas e privadas. O objetivo é preparar o/a recluso/a para a vida ativa, tanto no meio prisional como na altura da saída. A baixa escolaridade e, praticamente, a ausência de qualificações na população reclusa, torna o ensino e a formação profissional um instrumento fundamental para dotar este público de conhecimentos e para desenvolver competências que, à posteriori, poderão ser uma mais-valia na sua reinserção. Na tentativa de melhor conhecer esta realidade, e atendendo à nossa experiência profissional anterior com este tipo de população, pareceu-nos importante ouvir em discurso direto quatro participantes voluntárias, as quais estiveram em situação de reclusão por determinado período de tempo durante o qual frequentaram ações de educação/formação de adultos. A metodologia utilizada para a realização deste trabalho empírico foi de natureza qualitativa, tendo-se optado pelo estudo de caso (casos múltiplos) enquanto plano de investigação. Dos dados obtidos, através de uma entrevista semi-directiva por via da análise de conteúdo a que submetemos as informações recolhidas nas nossas quatro entrevistas, aferimos por um lado, que estes cursos, na opinião das pessoas entrevistadas, são considerados importantes na medida que enriquecem o currículo de quem os frequenta e contribuem para a sua qualidade de vida no imediato – ainda dentro do estabelecimento prisional – e à posteriori, ainda que de forma lenta e gradual após a saída do estabelecimento prisional. Por outro lado, a vivência da reclusão no feminino revela-se uma situação difícil e dramática, mas que propicia de certo modo, um VIII conjunto de oportunidades e mudanças que se podem traduzir numa vida melhor para estas mulheres, após a sua liberdade. Este trabalho tem um âmbito limitado, em termos de compreensão do fenómeno na população feminina em geral, porque abrangeu apenas quatro mulheres que passaram por um processo de reclusão. Ainda que as conclusões não se estendam à população prisional feminina no geral, e seja importante ouvir outros protagonistas envolvidos na implementação destes cursos, acreditamos que as reflexões apresentadas podem contribuir para a melhoria das ofertas formativas dentro dos estabelecimentos prisionais e serem importantes para trabalhos futuros no domínio em apreço.

Orientador: Cristina Maria Coimbra Vieira

Área de concentração: Educação e Formação de Adultos e Intervenção Comunitária

Instituição:  Universidade de Coimbra Ano: 2013

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Sobre Cristina de Carvalho

Arquivista na NTX It Solutions, pós-graduanda em Gestão Eletrônica de Documentos pela USCS. Foi Bibliotecária na Faculdade de Ciências e Saúde de São Paulo e Auxiliar de Biblioteca na UNISA. Bibliotecária formada pelo UNIFAI.

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