Educar em prisões: um estudo na perspectiva das representações sociais

Autor: Karol Oliveira de Amorim Silva

Resumo: Esta pesquisa buscou analisar o processo de construção das representações sociais de educadores que atuam em instituições prisionais sobre a educação desenvolvida neste ambiente. A prisão, historicamente construída com duas intencionalidades educativas – castigo e recuperação – atualmente encontra-se inserida num movimento que propõe compreendê-la como um espaço educativo na perspectiva da garantia dos direitos humanos. Nesse sentido, considera-se que os educadores, formados para atuarem em outros espaços diferentes da prisão, se deparam com o desafio de construir uma prática educativa neste ambiente, ancorada em sentidos vinculados à educação como direito. Assim, a questão norteadora da pesquisa diz respeito aos desafios vivenciados pelos educadores para construir saberes e práticas no paradigma do educar enquanto direito. Para tanto, recorreu-se ao uso da Teoria das Representações Sociais de Moscovici (2012), dado que interessa saber deste educador, o que ele pensa, sente e como age. Adotou-se a vertente processual (Jodelet, 2001), tendo como foco seu movimento por meio das contribuições de Antunes-Rocha (2012), no que diz respeito ao estudo de representações sociais em contextos, nos quais os sujeitos são provocados a alterarem suas formas de pensar, sentir e agir frente a um objeto novo. Segundo Moscovici (2012), as Representações Sociais são construídas no intuito de tornar familiar o não familiar, sendo assim entende-se que o educador no contexto prisional, encontra-se desafiado a lidar com novas perspectivas no campo da educação, o que lhe exige uma reelaboração de suas práticas e saberes prévios. Isso leva à hipótese de que muitos desses educadores assumem suas funções apropriando-se da discussão de punir/curar, mas buscou-se com este estudo apreender os movimentos instaurados pelos sujeitos para apropriar, ou não, do novo paradigma. Ao compreender a prisão como uma instituição inserida em um contexto econômico, político, social e cultural historicamente construído, adotou-se para esta pesquisa, como referência de construção societária, a perspectiva do materialismo histórico dialético (MARX; ENGELS, 1987), contemplada nas possibilidades de transformação social a partir do conceito de hegemonia e tomada de consciência em Antônio Gramsci (1982, 2011), e na perspectiva de educação para emancipação de Paulo Freire (1979, 1992, 1996, 2000). Este estudo inseriu-se numa abordagem qualitativa do tipo exploratória, coletando os dados por meio de questionário semiestruturado (MARCONI; LAKATOS, 1996) e entrevistas narrativas (JOVCHELOVITCH; BAUER, 2014). Baseou-se na proposta de Análise Temática de BARDIN (1977) para tratamento e análise dos dados. Observou-se que, para além da discussão do paradigma do educar, o desafio dos sujeitos deste estudo reside na apreensão ou não da diferença pautada nas especificidades do contexto, que interferem na construção e condução de suas práticas educativas. Diante desse desafio, os educadores estão se esforçando para reconstruir suas formas de pensar, sentir e agir a educação em prisões. Isso se dá por meio de dois movimentos: permanência e mudança, nos quais estão buscando manter o contexto prisional em suas práticas punitivas e ancorando suas práticas educativas como função curativa, negando este contexto e buscando uma “escola normal”, em transição, e reelaborando o contexto da prisão numa perspectiva de uma educação contextualizada. Considera-se, portanto, a necessidade de se promover formação continuada para os educadores em prisões, no sentido de fornecer-lhes instrumentos que possibilitem a construção de suas práticas numa compreensão crítica e contextualizada, de forma que proporcione a efetivação da perspectiva do educar.

Orientador: Maria Isabel Antunes Rocha

Área de concentração: Educação

Instituição:  Universidade Federal de Minas Gerais / Ano: 2016

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Sobre Cristina de Carvalho

Arquivista na NTX It Solutions, especialização em Gestão Eletrônica de Documentos pela USCS e MBA em Gestão da Informação em Saúde pela UNISA. Foi Bibliotecária na Faculdade de Ciências e Saúde de São Paulo (FACIS) e Auxiliar de Biblioteca na UNISA. Bibliotecária formada pelo UNIFAI.

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