As práticas e representações de leitura dos detentos alfabetizadores e alfabetizados do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia

Autor: Antonio Artequilino da Silva Neto

Resumo: A presente dissertação, ligada à linha de pesquisa Formação e Profissionalização Docente , analisa as práticas e representações de leitura dos detentos alfabetizadores e alfabetizados do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, dentro de um contexto que envolve uma população carcerária constituída em sua maioria por sujeitos estigmatizados pela sociedade que, paradoxalmente, os oprime e se sente por eles atemorizada. São indivíduos majoritariamente excluídos, marginalizados, pouco escolarizados e socialmente desfavorecidos. A pesquisa tem como objetivo analisar o discurso dos detentos que participaram de um processo de alfabetização dentro do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, no período de julho de 2007 a junho de 2008, para compreender as suas práticas e representações de leitura, tendo como fontes privilegiadas a própria fala dos alfabetizadores e alfabetizados no ambiente do cárcere. Trata-se de uma pesquisa qualitativa em que a metodologia e o aporte teórico estão fundamentados na análise das representações discursivas a partir dos estudos de Bakhtin, Vygotsky, Foucault, Goffman, Bourdieu, Certeau, Freire e Chartier, dentre diversos outros autores que também ajudaram a alicerçar cientificamente as constatações feitas ao longo desta pesquisa. A coleta dos dados para análise foi realizada no interior do Complexo Prisional que abrange a Casa de Prisão Provisória (CPP) e a Penitenciária Cel. Odenir Guimarães (POG), localizados no município de Aparecida de Goiânia, Estado de Goiás, a partir de experiências vividas durante e após o referido período em que aconteceram os trabalhos de alfabetização. Após a seleção de amostra para a pesquisa foram realizadas entrevistas semi-estruturadas gravadas com dezesseis detentos, dos quais oito atuaram como alfabetizadores e oito foram considerados alfabetizados. A análise das práticas e representações de leitura dos jovens e adultos em regime de privação da liberdade demonstrou que, mesmo nas condições de precariedade em que foi realizado o trabalho de alfabetização, foi possível alfabetizar 64% desse grupo de detentos que ainda tem muito a buscar no mundo da leitura, através da continuidade dos seus estudos. A análise demonstrou ainda que as condições precárias e deficientes do presídio interferem no processo de ensino e aprendizagem, resultando na interdição das leituras e dos leitores. Nesse sentido, a pesquisa ressalta a necessidade do incentivo às práticas de leitura em ambientes adequados, formais ou informais, como componente de uma política pública de Educação de Jovens e Adultos dentro dos espaços prisionais existentes não só em Aparecida de Goiânia, como também em outras cidades do Brasil

Orientador: Orlinda Maria de Fátima Carrijo Melo

Área de concentração: Educação

Instituição:  Universidade Federal de Goiás / Ano: 2009

Download: PDF

Tags , , , .Adicionar aos favoritos o Link permanente.

Sobre Cristina de Carvalho

Arquivista na NTX It Solutions, pós-graduanda em Gestão Eletrônica de Documentos pela USCS. Foi Bibliotecária na Faculdade de Ciências e Saúde de São Paulo e Auxiliar de Biblioteca na UNISA. Bibliotecária formada pelo UNIFAI.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.