A escrita como procedimento de autoria na Educação de Jovens e Adultos no contexto prisional

Autor: Jane Cleide Alves Hir

Resumo: Esse trabalho de pesquisa de abordagem qualitativa adotou a Pesquisa-Ação como metodologia investigativa e está inserida nos campos da Educação e da Linguagem. O objetivo principal é identificar as contribuições da mediação docente na construção da escrita com autoria no contexto da Educação em prisões. O lócus da pesquisa foi o Presídio Central Feminino localizado em Piraquara, PR/Brasil e a população pesquisada compôs-se de quinze mulheres apenadas que frequentavam as séries iniciais da Educação de Jovens e Adultos. Procurou-se no decorrer desse trabalho, discutir teoricamente e reflexivamente sobre as noções de autoria e escrita no sentido de identificar as possibilidades da mediação docente na constituição de uma autoria para além do delito. Para esse fim, foi analisado o espaço prisional enquanto construção social e também estrutura física, além da caracterização do perfil das educandas. Como pressuposto teórico utilizou-se Foucault (2005) como referência para a compreensão do espaço prisional e de suas relações, Bakhtin (1992) na concepção de linguagem, Freire (1996) e Charlot (2000) na reflexão e análise do fazer docente. Nesta pesquisa, a concepção de autoria embasada em Bakhtin (2003) foi reconfigurada a partir de Possenti (2000) no trabalho com a escrita no contexto escolar, de forma a possibilitar a identificação da autoria nos textos produzidos e, ao mesmo tempo criar espaços para a experiência singular do ato de escrever. As produções escritas das educandas são analisadas em duas categorias distintas: Autoria e Mediação docente. Essa análise busca explicitar a constituição do sujeito-autor na experiência da escrita e, ao mesmo tempo, identificar nesse processo a contribuição da ação educativa. A amostragem dos textos produzidos pelas educandas são as vozes delas, que ouvidas, constituíram o corpus deste trabalho e mostram a trajetória de uma intervenção pedagógica descrita e analisada como forma de revelar os caminhos percorridos e as múltiplas leituras que a cartografia desse percurso educativo possibilitou. Assim, o que se confirma neste trabalho de pesquisa é que a prática da escrita enquanto procedimento de autoria evidenciou a possibilidade autoral de educandas em fase inicial da escrita, mesmo em um espaço tão adverso como o espaço prisional.

Orientador: Sonia Maria Chaves Haracemiv

Área de concentração: Educação

Instituição:   Universidade Federal do Paraná / Ano: 2017

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Sobre Cristina de Carvalho

Arquivista na NTX It Solutions, pós-graduanda em Gestão Eletrônica de Documentos pela USCS. Foi Bibliotecária na Faculdade de Ciências e Saúde de São Paulo e Auxiliar de Biblioteca na UNISA. Bibliotecária formada pelo UNIFAI.

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