A constituição do sujeito-leitor em projetos de leitura : ressignificações a partir de instâncias ideológicas

Autor: Claudiana dos Santos

Resumo: Os estudos sobre a leitura no Brasil se desenvolvem sob diferentes perspectivas, por isso, esta pesquisa tem por objetivo compreender a produção de sentidos acerca da constituição do sujeito-leitor e da memória social de leitura a partir de materialidades textuais/discursivas que apontam para o funcionamento das formações discursivas e, consequentemente, do interdiscurso. Para realizar essa abordagem, selecionamos projetos de leitura, reportagens e documentos que circulam em instâncias ideológicas do espaço econômico, jurídico, religioso e do ensino. Com o aporte teórico-metodológico da Análise de Discurso de linha francesa realizamos o estudo discursivo da forma sujeito-leitor. O referencial teórico é subsidiado por Michel Pêcheux (1995;1997; 2015); Eni P. Orlandi (2003; 2007; 2008; 2015); Maria do Rosário V. Gregolin (2006); S. Possenti (2003); José H. Nunes (1992; 2003), Helena H. Brandão (2012) e Eduardo Guimarães (1996; 2013). O percurso de análise é construído sob as seguintes categorias: discurso, forma-sujeito, ideologia, interdiscurso, formação discursiva, condições de produção, corpus, arquivo e recorte. Quanto à abordagem, a pesquisa apresenta um viés qualitativo e para a composição do corpus empírico adotamos a pesquisa documental. No tocante aos resultados obtidos, o método identificou que na instância do econômico, os sentidos retomam o modo de funcionamento do sujeito do capitalismo, visto que há premiações e reconhecimentos financeiros pelo trabalho de leitura. Na instância do jurídico, o sujeito-leitor é constituído a partir de um modelo que retoma a memória de punição, o saber que provém da submissão às normas. Na instância do religioso, há o apagamento da construção do percurso de leitura e um trabalho de disciplinarização do sujeito-leitor. Na instância do ensino, especificamente nos objetivos do PNLL, identificamos os sentidos de um “discurso oficial” que garante o liberalismo da leitura, visando a formação de uma sociedade leitora. Em todas as instâncias, há o funcionamento de formações discursivas que retomam a prática pedagógica. Os sentidos operam na disseminação de uma cultura que valoriza e incentiva a leitura, desconstruindo o imaginário de uma sociedade que “não gosta de ler”. Sendo assim, a constituição do sujeito-leitor ocorre na dispersão dos diferentes tipos de leitura.

Orientador: Wilton James Bernardo dos Santos

Área de concentração: Lingüística, Letras e Artes

Instituição: Universidade Federal de Sergipe / Ano: 2018

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Sobre Cristina de Carvalho

Arquivista na NTX It Solutions, pós-graduanda em Gestão Eletrônica de Documentos pela USCS. Foi Bibliotecária na Faculdade de Ciências e Saúde de São Paulo e Auxiliar de Biblioteca na UNISA. Bibliotecária formada pelo UNIFAI.

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