Trajetórias erráticas: abandono, reprovação e persistência, na vida escolar de adolescentes em privação de liberdade

Autor: João Gomes Tavares Neto, Aderli Goes Tavares, Mychelli Pereira Tavares

Resumo: Este artigo apresenta resultados parciais de um estudo em desenvolvimento junto a adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de internação, matriculados na E.E.E.F.M. Prof. Antônio Carlos Gomes da Costa, na Região Metropolitana de Belém – Pará.  Objetiva-se caracterizar as trajetórias escolares vivenciadas por esses alunos, em período anterior à internação.  A pesquisa está subsidiada por dados primários, que foram coletados no site oficial da SEDUC/PA, particularmente do Módulo Aluno – Consulta de Matrícula e, analisados.  A coleta ocorreu, entre os três primeiros meses de 2019 – período que antecedeu ao início do ano letivo da rede estadual de ensino.  A pesquisa foi quanti e quantitativa, e, configurou-se como exploratória. O estudo elegeu três categorias empíricas, e seus desdobramentos, para orientar a coleta e discussão das informações: 1) quantidade de escolas (pelas quais os alunos passaram); 2) movimento escolar, caracterizado como o movimento do aluno entre a conclusão do CENSO escolar e o final do ano letivo, essa categoria pode se dividir em: transferido e abandono; e 3) rendimento escolar, a qual apresenta o resultado alcançado pelo aluno, ao final do ano letivo, essa categoria pode se subdividir em: aprovado ou reprovado. Em caráter preliminar, os dados demonstraram que os adolescentes em processo de escolarização em duas Unidades de Internação no município de Ananindeua, ao ingressarem na escola da socioeducação, já haviam acumulado um conjunto de experiências escolares negativas, representadas por reprovações, desistências, transferências e cancelamentos de matrículas, o que evidenciou, o insucesso ( a partir do padrão estabelecido) ou o descumprimento das trajetórias escolares padronizada, e esperada pela Escola.  Nesse percurso, esses alunos tiveram a permanência no ambiente escolar marcada por descontinuidades e fragmentações frequentes. Todos os alunos investigados, experimentaram pelo menos uma reprovação.   Desse conjunto, nove entre os dez, experimentaram pelo menos uma mudança de escola.  Percebeu-se, que embora esses alunos tenham tido acesso à educação formal, o sistema de ensino não conseguiu garantir sua permanência com sucesso.  Em caráter preliminar, o estudo, permitiu evidenciar a fragmentação nas vidas escolares dos alunos, qualificando como erráticas as suas trajetórias escolares, no período que antecedeu seu ingresso na medida socioeducativa de internação.  Os adolescentes estiveram na escola, mas não lograram sucesso contínuo, não desenvolveram habilidades, competências e capacidades importantes, que lhes garantisse a continuidade e sucesso nos estudos, bem como a fundamentação para o exercício da cidadania.

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Sobre Cristina de Carvalho

Arquivista na NTX It Solutions, especialização em Gestão Eletrônica de Documentos pela USCS e MBA em Gestão da Informação em Saúde pela UNISA. Foi Bibliotecária na Faculdade de Ciências e Saúde de São Paulo (FACIS) e Auxiliar de Biblioteca na UNISA. Bibliotecária formada pelo UNIFAI.

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