Os profissionais em educação prisional e a síndrome de Estocolmo

Autor: Délio Freire

Resumo: A ideia de escrever sobre esse assunto surgiu durante meu trabalho como gestor em uma escola prisional dentre os anos de 2013/2017 no Presídio Frei Damião de Bozzano, localizado no Complexo Prisional do Curado. A Síndrome de Estocolmo (SE) se refere a um estado psicológico no qual alguém que tenha sido submetido a algum tipo de ameaça física ou psicológica nutre um sentimento de afeição, amizade ou amor em relação ao seu agressor. Ocorre no momento de extremo perigo, um sequestro, por exemplo, onde a vida do refém pode ser retirada pelo sequestrador. A tendência é que a vítima se comporte de forma submissa. Por outro lado, o agressor ao se portar de forma educada, leva a vítima a uma falsa impressão de ele ser bondoso. Isso nada mais é que uma estratégia mental produzida de forma inconsciente seja por medo ou como estratégia de defesa. Na Educação Prisional, diferentemente do que acontece entre vítimas e algozes, a SE entre os profissionais da Educação Prisional ocorre, não pelas ameaças (latentes é bem verdade), mas sim pelo longo contato em que ambos estão expostos – professores e presos – provenientes da pesada carga-horária a que o docente tem de cumprir, atreladas as longas sentenças que os apenados estão sujeitos. Essa longa exposição leva ao relaxamento, com relação à segurança, por parte dos docentes perceptíveis em frases como “Ele é tão bonzinho!”, o que pode acarretar em pequenos favores, tais como levar dinheiro para parentes, visitar casa de parentes, entre outros.

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Sobre Cristina de Carvalho

Arquivista na NTX It Solutions, pós-graduanda em Gestão Eletrônica de Documentos pela USCS. Foi Bibliotecária na Faculdade de Ciências e Saúde de São Paulo e Auxiliar de Biblioteca na UNISA. Bibliotecária formada pelo UNIFAI.

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