“É aula ou filme, professora?” – cenas de um cineclube na escola prisional

Autor: Liliane Leroux, Ana Beatriz Campuzano Martinez

Resumo: O presente artigo resulta de pesquisa de campo realizada entre 2009 e 2012 no cineclube do Colégio Estadual Anacleto de Medeiros, situado no presídio Evaristo de Moraes, no Rio de Janeiro. Através desta experiência de exibição de filmes dentro de uma escola prisional, buscamos analisar alguns aspectos da relação entre cinema e formação. Para tanto, identificamos e colocamos em perspectiva os dilemas presentes naquele contexto entre: por um lado, um uso do cinema que seleciona e antecipa o que o espectador/aluno deve aprender e reduz a experiência com a obra cinematográfica à ilustração de conteúdos escolares e valores morais visando a ressocialização dos alunos apenados; e, por outro, a busca por uma experiência estética, desinteressada e autoformadora, presente no amor pelos filmes, que pressupõe a liberdade e a igualdade como ponto de partida e que, por esta razão, não ocorria sem tensões dentro do espaço da escola de presídio. O estudo toma como base os conceitos de partilha do sensível e espectador emancipado do filósofo Jacques Rancière, bem como a hipótese-cinema do crítico e professor Alain Bergala. Concluindo, apontamos o modo pelo qual o cinema, essa mistura do prazer com as sombras projetadas – mesmo que em um velho lençol estendido – e a inteligência de uma arte, como tão bem define Rancière (2012), constituía naquele espaço, ainda que por alguns instantes, elemento de ruptura no esquema sensível escolar-prisional.

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Sobre Cristina de Carvalho

Arquivista na NTX It Solutions, pós-graduanda em Gestão Eletrônica de Documentos pela USCS. Foi Bibliotecária na Faculdade de Ciências e Saúde de São Paulo e Auxiliar de Biblioteca na UNISA. Bibliotecária formada pelo UNIFAI.

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