A sala de aula no espaço carcerário

Autor: Luziêt Maria Fontenele-Gomes, Maria de Cássia Passos Brandão Gonçalves, Ediana Pereira da Silva

ResumoO Brasil possui a terceira maior população carcerária do mundo, sendo a maioria das pessoas privadas de liberdade, jovens sem escolarização ou pouco escolarizados que, por motivos diversos, abandonaram a escola, tornando-se presas fáceis do mundo do crime. O “viver” na prisão só acentua a situação de exclusão dessas pessoas, uma vez que nesse espaço muito pouco é oferecido para oportunizar uma mudança de vida, embora a educação seja um direito de todos e um dever do estado garantir sua oferta às pessoas privadas de liberdade, como estabelecem a Constituição (1988) e a Lei de Execuções Penais (1984). Refletir sobre essa realidade acena para a necessidade da escola situada no sistema prisional se constituir não como um local de domesticação do corpo e de obediência (FOUCAULT, 2009), mas, essencialmente, como um lugar de construção da liberdade e da consciência crítica social. Para além das peculiaridades de uma sala de aula na prisão como: janelas gradeadas, material didático vistoriado e limitado, carga horária reduzida entre outras situações de vigília e punição, a docência deve ser compreendida, sobretudo, pela importância do professor “problematizar aos alunos os conteúdos que os mediatiza” (FREIRE, 1983). Para tanto, é necessário que as instituições de ensino superior, especialmente as públicas, contemplem nos currículos dos cursos de licenciatura, discussões acerca do processo de ensino e aprendizagem em espaços diferenciados como as escolas do sistema prisional. No entanto, as iniciativas de formação de professores voltadas para tais especificidades, ainda, são restritas a ações isoladas de projetos e programas. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é discutir as contribuições do Subprojeto Interdisciplinar Pibid/Uesb para a formação de futuros professores da educação básica, a partir das vivências, observações e intervenções pedagógicas, no cotidiano de uma escola no sistema prisional. Participaram da pesquisa três bolsistas de iniciação à docência (bolsistas ID) de diferentes licenciaturas, todos com dois anos no Pibid, atuando no conjunto penal com turmas dos sexos masculino e feminino; a recolha dos dados foi realizada a partir de entrevista semiestruturada. Os resultados acenam para uma mudança de representações, concepções dos bolsistas ID acerca da educação no sistema prisional, bem como uma reflexão mais aprofundada sobre os valores e propósitos da educação. A experiência de estar em uma sala de aula em um espaço totalmente diferente dos comuns do estágio supervisionado traz um significado relevante e um olhar mais humano.

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Sobre Cristina de Carvalho

Arquivista na NTX It Solutions, pós-graduanda em Gestão Eletrônica de Documentos pela USCS. Foi Bibliotecária na Faculdade de Ciências e Saúde de São Paulo e Auxiliar de Biblioteca na UNISA. Bibliotecária formada pelo UNIFAI.

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